
A Rodovia dos Bandeirantes ganhará uma nova infraestrutura de abastecimento de biometano voltada principalmente ao transporte pesado. O projeto será instalado no Complexo Lago Azul, em São Paulo, com unidades nos quilômetros 58, sentido interior, e 62, sentido capital. Cada ponto terá capacidade para 24 mil m³ de biometano por dia e mais de 200 abastecimentos diários de caminhões pesados, elevando a capacidade conjunta para 48 mil m³ e mais de 400 abastecimentos por dia.
A estrutura é desenvolvida pela Ultragaz e tem entrada em operação comercial prevista para o início de 2027. Inicialmente, o abastecimento será direcionado a parceiros da companhia, com expectativa de abertura futura para outros veículos pesados compatíveis com o combustível. O projeto integra uma estratégia de expansão que prevê mais de 20 pontos de abastecimento nos próximos três anos, ampliando a disponibilidade do biometano em rotas logísticas estratégicas do país.
São Paulo amplia infraestrutura de abastecimento de biometano
A nova operação na Bandeirantes se soma a outras iniciativas de abastecimento de biometano já existentes no Brasil. Projetos anteriores foram implantados em estados como Paraná e São Paulo, incluindo estruturas voltadas a caminhões e operações logísticas, o que afasta a classificação da unidade como o primeiro posto rodoviário de biometano do país.
Em setembro de 2025, por exemplo, Ponta Grossa, no Paraná, recebeu uma unidade com oferta de gás natural e biometano para caminhões dentro do programa Corredores Sustentáveis. Em Carambeí, também no Paraná, uma estrutura destinada ao abastecimento de veículos pesados havia sido anunciada ainda em 2024. A própria Ultragaz inaugurou em agosto de 2026 uma estação de biometano em Paulínia, no interior paulista, voltada à sua operação logística e com capacidade aproximada para 200 caminhões por dia.
O diferencial do novo projeto está na localização ao longo da Rodovia dos Bandeirantes e na estratégia de utilizá-lo como parte de uma rede mais ampla de abastecimento. A intenção é aumentar a previsibilidade para transportadoras e embarcadores que desejam incorporar o combustível renovável às rotas sem depender de estruturas isoladas.
Biometano avança sobre logística pesada
O biometano é produzido a partir da purificação do biogás e pode substituir combustíveis fósseis em veículos preparados para sua utilização. No transporte rodoviário pesado, a disponibilidade de pontos de abastecimento é um dos fatores determinantes para ampliar o uso comercial da tecnologia, especialmente em operações que percorrem longas distâncias e exigem previsibilidade logística.
Segundo Guilherme Darezzo, vice-presidente de Mercados da Ultragaz, a ampliação da infraestrutura é necessária para transformar a disponibilidade do combustível em uma alternativa operacional para as empresas. “O biometano já é uma realidade, mas ter uma infraestrutura de acesso a esse combustível é essencial para manter a eficiência e a rentabilidade das operações”, afirma.
A escolha da Bandeirantes coloca o projeto em um dos principais eixos rodoviários e econômicos do Estado de São Paulo. As duas unidades do Complexo Lago Azul permitirão atender os fluxos nos dois sentidos da rodovia e criar novos pontos de abastecimento em uma rota de alta circulação de cargas.
Projeto será apresentado na Fenatran
A expansão da infraestrutura de biometano também será levada pela Ultragaz à Fenatran 2026, realizada entre 9 e 13 de novembro, em São Paulo. A companhia fará sua primeira participação no evento e pretende apresentar a transportadores, frotistas e embarcadores o plano de expansão dos pontos de abastecimento.
A estratégia insere a companhia em um movimento mais amplo de investimento em combustíveis renováveis para logística pesada. A Ultragaz atende mais de 10 milhões de famílias e 55 mil empresas em 22 estados e no Distrito Federal, mantém 39 bases operacionais e integra a Ultrapar, grupo que também reúne Ipiranga, Ultracargo e Hidrovias.



