
A Starlink ultrapassou 800 mil terminais ativos no Brasil em um momento de forte expansão da internet via satélite no país. Segundo dados da Anatel apresentados no material, as conexões de banda larga fixa por satélite passaram de cerca de 630 mil no segundo trimestre de 2025 para 960 mil no mesmo período de 2026, crescimento aproximado de 52% em um ano.
A expansão ganha relevância principalmente em áreas onde redes terrestres de fibra e cabo ainda apresentam limitações. Na Região Norte, a conectividade pode ampliar o acesso de empresas a plataformas digitais de compras, vendas e gestão, reduzindo a dependência exclusiva de pedidos realizados por telefone, WhatsApp ou vendedores presenciais.
O movimento acontece em um mercado de grande escala. O atacado distribuidor brasileiro movimentou R$ 616,6 bilhões em 2025, segundo o Ranking ABAD/NielsenIQ 2026.
Norte ainda tem menor índice de banda larga fixa
Apesar do avanço recente, a Região Norte continua apresentando o menor percentual de domicílios com banda larga fixa entre as regiões brasileiras.
Dados da PNAD Contínua 2025, do IBGE, apontam que 86,2% dos domicílios do Norte tinham acesso ao serviço. A região registrou o maior avanço do país no indicador, mas ainda permaneceu abaixo das demais.
Em áreas rurais, a indisponibilidade do serviço continua aparecendo entre os motivos para a ausência de conexão. Esse cenário ajuda a explicar por que parte das relações comerciais em cidades menores permaneceu dependente de processos menos digitalizados.
Conectividade pode mudar vendas entre empresas
Para empresas de distribuição, uma conexão mais estável amplia a possibilidade de colocar catálogos, preços, disponibilidade de estoque e pedidos diretamente em canais digitais.
Rafael Calixto, CEO da Zydon, startup voltada à tecnologia comercial B2B, avalia que a expansão da infraestrutura pode mudar a dinâmica principalmente em estados como Amazonas, Pará e Roraima.
“Em muitos casos, o pedido por telefone, WhatsApp ou por meio do vendedor presencial permaneceu dominante não apenas por uma preferência comercial. Faltava infraestrutura para que o cliente pudesse realmente incorporar uma jornada digital de compra”, afirma.
Para varejistas, restaurantes, farmácias e outros compradores, a digitalização permite consultar produtos e condições comerciais sem depender exclusivamente da visita de um representante.
Operação B2B exige mais do que catálogo digital
A digitalização do atacado e da distribuição também exige sistemas capazes de lidar com particularidades do comércio entre empresas.
Entre elas estão preços diferentes por cliente, limites de crédito, condições comerciais negociadas, múltiplos centros de distribuição, recorrência de compras e regras tributárias específicas.
Segundo Calixto, apenas transformar o catálogo em uma interface online não resolve todo o processo. A plataforma precisa estar integrada às regras comerciais e operacionais utilizadas por cada distribuidora ou indústria.
Papel do vendedor também pode mudar
A expansão dos canais digitais pode alterar ainda a função dos vendedores externos. Pedidos recorrentes e operações mais simples podem migrar para plataformas digitais, enquanto os profissionais passam a dedicar mais tempo a negociações complexas, recuperação de clientes e gestão de contas estratégicas.
Para as distribuidoras, a mudança pode ampliar a cobertura comercial sem exigir crescimento equivalente da estrutura física de vendas em territórios extensos.
“O Norte pode percorrer em poucos anos uma jornada de digitalização comercial que outras regiões levaram muito mais tempo para construir”, afirma Calixto.
A combinação entre maior disponibilidade de internet e avanço de plataformas B2B cria, assim, uma nova infraestrutura para relações comerciais em mercados que historicamente enfrentaram limitações de conectividade.


