Compreendendo o papel dos sócios na governança corporativa

Empresas familiares são um modelo de negócio que pode ser utilizado como referência para entender o tema

Estar à frente de uma empresa requer por parte de um gestor constante renovação de conhecimentos, dedicação, análise constante do mercado e muito preparo para enfrentar o tão mencionado mundo VUCA, regido por volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade.

Com mais de 35 anos de vida corporativa e, desde 2015 atuando com consultoria empresarial, a frente da MORCONE Consultoria Empresarial, tenho refletido cada vez mais sobre o papel da governança corporativa para que as empresas permaneçam no mercado. Neste post vamos explorar: “Qual o papel dos sócios na governança corporativa?”.

Estrutura de propriedade e papel dos sócios na governança corporativa

Vale sempre repensar a evolução da estrutura de propriedade dispersa que começou nos Estados Unidos, por conta de aspectos econômicos, políticos e culturais em meados dos anos 1920. O país estava vivendo o seu momento de prosperidade econômica, mas a Crise de 1929, trouxe consequências para a política e sociedade.

Até então, fazia parte da cultura empresarial que os proprietários (um ou mais ou famílias), fossem os responsáveis pelas decisões de seus negócios. Mas depois da Segunda Guerra Mundial, as organizações empresariais foram afetadas e surgiu a estrutura de propriedade dispersa, com ações negociadas no mercado de capitais, um modelo que se espalhou pelos demais países do globo.

Esse modelo de negócio com um conjunto disperso de proprietários ou acionistas dificultou a interferência direta nas empresas, o que passou a ser uma função dos controladores majoritários, que ocupavam a função do que era conhecido como conselho de administração (chairman).

Complexidade em torno dos sócios na governança corporativa

A governança corporativa entendida de maneira básica é um sistema de regras e práticas pelo qual um negócio mantém o seu controle e direcionamento no mercado. Um dos papéis mais importantes da governança corporativa é definir a participação dos gerentes e diretores para que o negócio assuma uma posição de socialmente responsável em constante crescimento.

Não tem como falar no papel dos sócios na governança corporativa sem mencionar a Teoria do Agente Principal, segundo estudos publicados por Jensen e Meckling, em 1976, que geraram estudos subsequentes (Teoria da Firma ou Teoria do Agente-Principal). Essa teoria foi construída sobre o fato de que os executivos e conselheiros que eram contratados pelos acionistas agiriam de maneira a obter maiores benefícios próprios.

A partir desse cenário, se tornou uma necessidade a criação de medidas a fim de alinhar os interesses de todos os envolvidos (stakeholders), o principal objetivo era que o relacionamento entre todos os responsáveis pela direção da empresa fosse o sucesso do negócio.

E para esse alinhamento de interesses, essas medidas se referiam ao monitoramento, controle e ampla divulgação de informações (o que se conhece na governança corporativa como transparência), um dos pilares de sua existência.

O papel dos sócios na governança corporativa é algo que pode ser aplicado a qualquer modelo de negócio, mas é sempre válido pensar na aplicação desse modelo de gestão com base nos negócios familiares.

As empresas familiares são as mais ameaçadas no mercado. Segundo estudos referentes ao tema, 75% das empresas familiares morrem entre a primeira e a segunda geração, principalmente por problemas referentes à sucessão.

Uma das principais razões que impactam na continuidade dos negócios familiares, é que os fundadores dificilmente pensam nas mudanças que ocorrerão no negócio quando os filhos crescerem, não se repensa o modelo de gestão, quais mudanças deverão ser implementadas.

Outra questão que leva muitas empresas familiares ao fracasso é a falta de compreensão entre os sócios de que existe alguém ‘liderando’ o negócio.

É sempre importante pensar nas empresas familiares, no papel dos sócios nesses modelos de negócio para conseguir fazer conexões sobre o papel dos sócios nos demais modelos organizacionais.

É claro que estou trazendo apenas um recorte da governança corporativa, mas vale que se compreenda a importância de que exista um conselho na empresa, de pessoas com ideais parecidos, que tenham como principal objetivo o crescimento e sucesso do negócio, que estejam norteadas pelos quatro pilares da governança corporativa: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

A ideia dos sócios na governança corporativa, é que sejam pessoas que desempenhem as suas funções de maneira ética, que estejam prontas no momento da tomada de decisões na empresa, que consigam lidar com as complexidades do mercado, que possam no momento apropriado decidir sobre o que fazer ou não, o que mudar ou não.

Cada pessoa, dotada de importantes habilidades, pode, em união e compartilhamento com pessoas com o mesmo interesse, ajudar a guiar a empresa nos caminhos do crescimento e sucesso. É como um apoio, uma base sólida para que as decisões sejam as mais assertivas.

Em um caso de conflitos na empresa, por exemplo, os sócios com base nos princípios da governança corporativa, podem chegar a uma possível solução com o objetivo em comum da prosperidade da empresa. Assim como deve ocorrer nas empresas familiares, deixam-se de lado as emoções e próprios interesses, e pensa-se racionalmente com foco no bem-estar de toda a organização.

Carlos Moreira – Há mais de 35 anos atuando em diversas empresas nacionais e multinacionais como Manager, CEO (Diretor Presidente), CFO (Diretor Financeiro e Controladoria) e CCO (Diretor Comercial e de Marketing).É empresário há mais de 15 anos e sócio e fundador da MORCONE Consultoria Empresarial.

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