ENTREVISTA EXCLUSIVA: MURILLO ALCANTARA – CEO EASYMOVIE

1) Conte nos um pouco da sua formação e experiência profissional e quando iniciou as suas atividades no universo do empreendedorismo.

Sou formado em Economia, pós-graduado em Administração pelo Insper, e comecei minha carreira na área de Business Intelligence, na Ticket. Depois atuei por um bom tempo na área de Estratégia, desenvolvendo projetos de Planejamento Estratégico junto aos Diretores da companhia, o que me trouxe uma excelente bagagem de negócio e visão sobre as diversas áreas da empresa.

Aos 24 anos fui convidado pelo Presidente da Ticket para trabalhar diretamente com ele, com a missão de liderar a transformação digital da empresa e implementar uma cultura voltada à Inovação. Liderei o processo de transformação cultural e dirigi a criação de novos produtos por meio de metodologias como Design Thinking, Lean Startup e Agile, gerindo times de Designers, Desenvolvedores e Especialistas de Produto.  Implantei processos de criação que transformaram a maneira como a empresa lidava com resolução de problemas. E foi trabalhando com Inovação que descobri minha paixão: criar soluções bem feitas para facilitar a vida das pessoas. Desenhar estratégias focadas em User Experience é uma das coisas que mais me encantam.

Foi então aos 26 anos, que decidi largar uma carreira que crescia, e decolava por sinal, para me jogar no sonho de empreender e criar algo que tivesse a minha visão, um propósito. Quem tem espírito empreendedor se vê, muitas vezes, limitado pelas barreiras que existem em grandes companhias. Ter a oportunidade de criar algo que pode transformar o mundo, parece clichê, mas é o que move os verdadeiros empreendedores.

2) Quais foram os principais desafios no início da EasyMovie?

Começar sozinho e sem investimento com certeza foram os maiores desafios. Quando decidi empreender, decidi que aquele era o meu momento de vida, e que aquele era o timing certo para começar a EasyMovie. Mas estava sozinho e ainda não tinha formado um time. Encontrar pessoas para fundar uma empresa é uma tarefa extremamente difícil. Pois é preciso encontrar pessoas que tenham os skills complementares aos seus (e necessários para o tipo do negócio), que tenham vontade de empreender e que estejam no momento de vida ideal para isso, incluindo, principalmente, a questão financeira. E além de tudo, que tenham valores semelhantes aos seus. Ou seja, é uma combinação de fatores que vão além de se juntar a outros talentos.

Criar sozinho um MVP que começasse a ser rentável, foi um grande desafio. Quando as startups começam com 3 founders com skills complementares, por exemplo, uma pessoa pensa mais em produto e negócio, a outra em Design e a outra na tecnologia e programação. E no meu caso? Precisei fazer de tudo e focar a todo momento em criar algo que funcionasse e que pudesse validar o modelo.

Jornada em que aprendi mais do que qualquer papel no mundo corporativo, e que me fez ser um líder mais completo hoje. Além de precisar me aprofundar nas diferentes áreas pra fazer todas as engrenagens girarem, muitas vezes em um mesmo dia precisei formatar o produto, desenhar telas, planejar e executar o marketing, atender cliente, emitir Nota Fiscal, e até mesmo programar, algo que aprendi com ajuda do Youtube e muita força de vontade.

3) Quais são os principais desafios atuais da empresa?

Uma startup que já fatura e possui diferentes clientes passa pelo desafio de encontrar uma maneira de se tornar mais conhecida e escalar sua solução. É preciso otimizar cada investimento feito em marketing, sem ter muita margem para erros como as grandes empresas têm. Pois apesar da cultura do erro ser algo muito falado sobre startups, estas são as que menos podem errar, já que muitas vezes o erro pode descapitalizar e levar a startup ao fracasso.

4) Quais são os planos da empresa para os próximos anos?

Expansão global com certeza é o principal objetivo quando falamos em futuro. A demanda por vídeos vem crescendo a números exorbitantes pelo mundo inteiro, e a EasyMovie já possui um modelo totalmente escalável e com aderência em diferentes países.Estados Unidos, por exemplo, tem um mercado extremamente avançado na produção audiovisual, e está na lista dos primeiros países a expandirmos nossa solução.

5) Quais dicas e recomendações você daria para um futuro empreendedor?

Tem 5 dicas que eu daria a alguém que esteja pensando em empreender.

Saiba que seu maior custo será emocional, não financeiro.

É preciso estar preparado para enfrentar a montanha-russa emocional que é empreender. Quando pensamos em montar uma startup, a primeira preocupação que vem na cabeça é sobre o dinheiro (“até quando ele vai durar?”). Mas você está preparado para seu ego ser esmagado por clientes ou investidores? Está preparado para a solidão das mais importantes tomadas de decisão da sua vida? Está preparado pra enfrentar centenas de situações que vão parecer o fim do seu negócio? Está preparado pra lidar com sua nova rotina social? E a pressão de amigos e família disputando pelo seu tempo ou questionando o seu sucesso? É uma jornada desafiadora, onde o equilíbrio, confiança e persistência vão ser fundamentais para se manter em pé. No mundo corporativo as conquistas e angústias se diluem pelos diferentes cargos e responsabilidades. Mas o empreendedor sente tudo isso de forma muito mais intensa, pois é a vida dele que está em jogo.

Esteja preparado para ficar pelo menos 2 anos sem ganhar 1 centavo.

Por mais que sejamos otimistas (e precisamos ser), é importantíssimo você ter uma folga financeira para conseguir focar energia em construir o seu negócio. A partir do momento que você tiver a preocupação de como pagar as contas do mês que vem, seu rendimento vai cair, e muito, pode ter certeza. Além do montante de investimento que vai ser necessário para começar o seu negócio (e isso vai depender do seu tipo de negócio), é preciso ter uma boa reserva para continuar sua rotina. Seja para eventos, viagens, cultura, ou até mesmo restaurantes e outras experiências que vão agregar na sua bagagem, o que é importantíssimo para fundadores.

Foque no produto.

Cuidado com o hype das startups e cuidado pra não ficar só em eventos e deixar de colocar a mão na massa no que realmente importa. Construir o seu produto é o mais importante, e “ir pra rua” tem que ser com objetivo. Se o seu dia-a-dia estiver mais tomado por encontros e mais encontros, e enquanto isso tudo o que você tem ainda é um Power Point, dificilmente você vai conseguir crescer sua empresa ou até mesmo atrair investimento.

Tente formar sua equipe de founders antes de começar seu negócio.

Pessoas são o principal motor de qualquer negócio, e além de serem fundamentais para a construção do seu produto, serão um item super avaliado por qualquer investidor que se interesse pela sua startup. E por experiência própria, é muito mais difícil encontrar as pessoas certas no meio do caminho. Mas claro que juntar os perfis corretos não deixa de ser uma tarefa difícil. É preciso que cada membro esteja no momento de vida certo para empreender, tenha skills necessários para o negócio, espírito empreendedor e valores pessoais similares aos seus.

Cuidado com a armadilha do “part-time”.

São poucos os cases de startups que conseguem evoluir sem dedicação full time. E se você é um sócio-fundador full time, que está convencendo outras pessoas a trabalharem com você part-time, aguarde as frustrações. Na maioria das vezes a sua empresa não vai ser prioridade dessa pessoa ou a energia que ela vai colocar no seu negócio não estará no mesmo nível que a sua. Entenda muito bem o perfil de quem está se oferecendo para ser um sócio part-time, para saber se faz sentido.

 

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