Humanizando a automatização das coisas

Por Daniel Leipnitz, presidente da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE). Em um mundo cada vez mais automatizado é essencial resgatar a importância de pequenos detalhes humanizadores.

No começo de cada ano, procuramos focar em novos objetivos, resgatar metas antigas e atualizar algumas delas. Neste momento, muitas pessoas param para refletir sobre como estão levando suas vidas, de que forma estão influenciando aqueles com quem convivem e que legado deixam para o mundo. Uma reflexão da qual eu gosto muito e que sempre passa pela minha cabeça tem relação com a individualização do ser humano, mesmo com tantos meios que temos, cada vez mais, para socializar, e a automatização de tantos processos que vivenciamos.

Para deixar mais claro o que quero dizer, trago como exemplo a minha área de experiência, que é a tecnologia. Toda história tem pelo menos dois lados, com pontos positivos e outros não tão bons. Assim, ao mesmo tempo que a tecnologia nos traz infinitas possibilidades de termos uma vida melhor em diversos aspectos, ela também automatiza tantas coisas quanto possamos imaginar, e nos torna mais processados e menos processadores de informações.

Nossas necessidades e desejos são atendidos muito facilmente com as diversas tecnologias a que temos acesso todos os dias na palma das mãos, por meio dos nossos celulares. Segundo dados do relatório Estado de Serviços Móveis, divulgado no início do ano passado, o Brasil é o 5º país com maior uso de smartphones, passando mais de três horas diárias em função do aparelho. E a 30ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) e divulgada no mesmo ano complementa: a previsão era de que, até o fim de 2019, 420 milhões de aparelhos celulares estivessem ativos Este número representa mais que o dobro da população brasileira (202 milhões, segundo o IBGE, até setembro de 2019), o que mostra que estamos cada vez mais conectados, e também cada vez menos ativos no mundo real.

Por isso, neste começo de ano, proponho a reflexão sobre nos dedicarmos mais a aspectos que hoje parecem tão banais, como esses que citei. Que possamos utilizar a tecnologia, que com certeza vem para o nosso bem, de forma equilibrada e honesta, não deixando relegadas a ela todas as nossas atividades e funções do dia a dia. Não nos tornando dependentes exclusivamente dela, mas usufruindo de cada momento da melhor forma possível, com o apoio dos recursos que ela nos oferece.

 

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