A onda asiática – Carlos Rodolfo Schneider

A consultoria britânica Oxford Economics elaborou um ranking dos países emergentes que deverão apresentar os maiores crescimentos entre 2019 e 2028. Índia, Filipinas, Indonésia e China lideram a lista, com taxas acima de 5%. O Brasil, com expansão média estimada de 2%, não está entre os dez primeiros. A principal razão apontada para manter a onda asiática é o ganho de produtividade.

Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que, no período 2006 -2016, o Brasil teve o menor crescimento de produtividade (5,5%) quando comparado aos seus 10 principais parceiros comerciais, entre eles México (9,2%), Argentina (11,2%), Estados Unidos (16,2%) e Coreia do Sul (44%). A baixa produtividade compromete a competitividade. O último Relatório Global de Competitividade do Fórum Econômico Mundial classifica-nos no 72º lugar entre 140 países, com perda de mais três posições. Temos a maior burocracia de toda a relação, e somos um dos países menos preparados para enfrentar a revolução tecnológica que está acontecendo. E o pior classificado entre os Brics: África do Sul (67º), Índia (58º), Rússia (43º) e China (28º).

Preocupado com esse quadro, o Brasil vem empreendendo um esforço nos últimos anos para chegar em 2038 entre os 20 primeiros países desse ranking do Fórum Econômico. Iniciativas como a criação do Programa de Parcerias de investimentos (PPI) e a reestruturação da Empresa de Planejamento e Logística fazem parte do esforço para aumentar os investimentos no país, sem o que não existe aumento de produtividade nem de competitividade. Só que o atraso a recuperar é grande. Nos últimos dez anos não temos investido mais de 2% do PIB em infraestrutura, contra 5% da Índia e 8% da China. O nosso estoque de capital de infraestrutura não passa de 35% do PIB, quando deveria ser o dobro disso. Temos que investir perto de 5% a.a. para atingirmos a meta em 2038. Para isso, devemos reduzir a rigidez do orçamento público e recuperar o equilíbrio fiscal, o que passa por mais reformas, e por aumento da eficiência do gasto público. Essa eficiência poderá ser melhorada sensivelmente se conseguirmos implantar o Conselho de Gestão Fiscal, já previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal aprovada em 2000. A partir do Projeto de Lei – PLS 141/2014, do ex-Senador Paulo Bauer, o Movimento Brasil Eficiente conseguiu aprovar a matéria no Senado e aguarda agora tramitação na Câmara dos Deputados sob o número PLP 210/2015.

Acima de tudo, Brasília precisa estabelecer um pacto pelo Brasil, colocando os interesses do país acima dos de partidos ou corporações, se quisermos ter alguma esperança de que a onda asiática nos dê uma carona.

1 COMENTÁRIO

  1. Caro Carlos Rodolfo Schneider,
    Meus cumprimentos pelo seu artigo. Concordo plenamente, em especial com a conclusão – último parágrafo, que tomo a liberdade de replicar aqui: “Acima de tudo, Brasília precisa estabelecer um pacto pelo Brasil, colocando os interesses do país acima dos de partidos ou corporações, se quisermos ter alguma esperança de que a onda asiática nos dê uma carona”. Tenho também a certeza de que a Indústria quer cumprir o seu papel! Apesar de ser um desafio gigantesco, tenho a convicção de que dará certo.
    Forte Abraço

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