
A Sauer celebra 85 anos de trajetória com dois projetos que revisitam sua história na joalheria brasileira: uma coleção comemorativa de 35 peças e um livro publicado pela Assouline. A nova linha, assinada pela diretora criativa Stephanie Wenk, recupera símbolos construídos pela casa ao longo de mais de oito décadas e combina gemas brasileiras com releituras de peças históricas.
Entre os destaques está uma nova interpretação do anel Constellation, peça que levou Jules Sauer ao Diamonds International Awards em 1966 e ajudou a inserir o Brasil no circuito internacional do design de joias. A coleção também reúne turmalinas verdes, águas-marinhas, safiras azuis, esmeraldas, turmalinas Paraíba, topázios imperiais, rubi e pérolas em composições de formas orgânicas. As informações foram publicadas pela Forbes Brasil.
Ícones históricos ganham novas versões
Stephanie Wenk comanda o design da Sauer há 13 anos e buscou aproximar diferentes períodos da história da marca na coleção comemorativa.
“Nessa coleção, quis fazer épocas e referências conversarem, deixando espaço para o inesperado”, afirma a diretora criativa.
Outro ícone revisitado é o colar Yvonne, que ganha versão de alta joalheria com uma esmeralda emoldurada em madeira. A peça resume uma característica recorrente na trajetória da Sauer: a combinação entre gemas brasileiras, experimentação de materiais e desenho autoral.
A coleção de 35 peças também funciona como uma síntese dos capítulos mais conhecidos da casa, desde a pesquisa por pedras raras até a construção de uma linguagem própria no mercado de alta joalheria.
Livro da Assouline recupera trajetória de Jules Sauer
O aniversário também ganhou uma publicação da Assouline dedicada à história da marca e de seu fundador. O livro reúne encontros, descobertas e criações que marcaram os 85 anos da Sauer, com foco na relação entre pedras preciosas brasileiras, design e desenvolvimento da joalheria no país.
Jules Roger Sauer nasceu na Alsácia, no nordeste da França, e chegou ao Brasil em 1939, aos 18 anos, fugindo da Segunda Guerra Mundial. Seus primeiros contatos com o comércio e a lapidação de gemas aconteceram em Belo Horizonte, onde abriu seu próprio negócio dois anos depois.
A mudança para o Rio de Janeiro, no início da década de 1950, abriu uma nova etapa da trajetória. Ao lado de Zilda Sauer, Jules passou a transformar o conhecimento acumulado sobre pedras preciosas em joias e, em 1956, inaugurou uma loja no térreo do Edifício Chopin, ao lado do Copacabana Palace, na Avenida Atlântica.
O endereço colocou a marca em contato com um público brasileiro e internacional acostumado à joalheria europeia e ajudou a apresentar gemas brasileiras sob uma nova perspectiva. Jules Sauer também teve papel relevante na valorização das esmeraldas brasileiras, especialmente as encontradas na Bahia.
O prêmio conquistado pelo anel Constellation em 1966 se tornou um dos marcos dessa trajetória. Décadas depois, a releitura da peça dentro da coleção de 85 anos conecta esse capítulo histórico à atual fase criativa da Sauer.



