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Samsung desenvolve data center flutuante de 50 MW que pode reduzir em até 60% a energia usada na refrigeração

Projeto da Samsung Heavy Industries usa água do mar em circuito fechado, elimina o consumo de água doce no resfriamento e já recebeu aprovação técnica de entidades internacionais

Foto de Gabriel Zorante
Foto: Divulgação

A Samsung Heavy Industries está desenvolvendo uma nova geração de data centers de 50 MW concebidos para operar em embarcações no oceano. A proposta busca enfrentar três dos principais gargalos associados à expansão da infraestrutura para inteligência artificial: disponibilidade de espaço, consumo de energia e refrigeração, segundo informações publicadas pelo Pplware.

Os chamados Floating Data Centers, ou FDCs, não utilizariam navios adaptados. A estratégia da divisão naval do Grupo Samsung é construir embarcações desde a origem para receber servidores, sistemas de geração de energia e toda a infraestrutura necessária a um centro de dados.

O projeto de 50 MW já recebeu aprovação do American Bureau of Shipping e do Lloyd’s Register, que avaliaram aspectos como integridade estrutural e integração dos sistemas de geração de energia a bordo.

Um dos principais diferenciais está no resfriamento. A água do mar circula por um sistema de troca de calor em circuito fechado, absorvendo o calor gerado pelos servidores sem entrar em contato direto com os equipamentos.

Segundo os dados apresentados no projeto, essa arquitetura elimina o consumo de água doce destinado à refrigeração e pode reduzir entre 40% e 60% o gasto energético associado aos sistemas convencionais de ar-condicionado.

A Samsung Heavy Industries também vem formando uma rede de parceiros para levar o conceito à operação. Na Posidonia 2026, em Atenas, a companhia assinou um acordo com a Capital Clean Energy Carriers e a Lloyd’s Register para avançar na validação técnica e comercial da tecnologia.

Outro acordo envolve a Supermicro, fabricante norte-americana de servidores voltados à inteligência artificial. A parceria busca desenvolver configurações de hardware adaptadas às condições do ambiente marítimo.

A companhia também se aproximou da Mousterian Corporation, especializada em infraestrutura de data centers flutuantes e instalações próximas a ambientes aquáticos.

Ainda há obstáculos antes da construção das primeiras unidades comerciais. Um dos objetivos dos protótipos será avaliar efeitos de umidade, salinidade, vibrações e estabilidade das cargas computacionais em ambiente marítimo.

Também permanecem sem definição o custo de uma embarcação de 50 MW, o prazo entre contratação e entrada em operação e os primeiros mercados costeiros que poderão receber a tecnologia.

A aposta surge em meio à expansão acelerada da infraestrutura necessária para IA generativa. Caso o modelo se mostre técnica e economicamente viável, parte da próxima geração de centros de processamento de dados poderá deixar áreas urbanas e industriais em terra firme para operar diretamente no oceano.

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