
Cores, formas, reflexos e referências ao carnaval agora acompanham quem atravessa a passagem subterrânea entre os edifícios Lina e Pietro do MASP, na Avenida Paulista. O espaço recebeu Pietrolina, obra permanente de Beatriz Milhazes que soma 98 metros e se tornou o maior projeto de arte em arquitetura já realizado pela artista, segundo informações publicadas pela Forbes.
Em uma das laterais, uma pintura vibrante ocupa 60 metros lineares e leva ao ambiente os elementos visuais que caracterizam o trabalho de Milhazes. Do outro lado, uma parede azul recebe peças reflexivas douradas em formato de folha, criando uma composição que muda de percepção conforme o visitante percorre o túnel.
A escolha do azul também carrega uma ligação com a história da artista no museu: é o mesmo tom utilizado em sua retrospectiva realizada no MASP em 2020.
O projeto nasceu de um convite de Adriano Pedrosa, diretor artístico do museu, e levou dois anos para ser desenvolvido. A complexidade esteve, em parte, na adaptação de um desenho criado originalmente no papel para uma passagem com diferentes alturas e declive entre os dois prédios.
Milhazes imaginou o percurso como um desfile de carnaval dividido em alas. Elementos geométricos indicam as transições, enquanto referências à arte popular, ao trabalho artesanal, à abstração e à figuração se misturam ao longo da composição.
“Quem observar bem vai ver o abstrato, o figurativo e o figurativo dentro do abstrato”, disse Beatriz Milhazes à Forbes. A estrela, por exemplo, aparece simultaneamente como forma gráfica e como representação de brilho, luz e espiritualidade.
A relação entre arte e arquitetura faz parte da produção da artista há mais de duas décadas. Milhazes realizou seu primeiro projeto do gênero em 2004, na Inglaterra, e possui mais de 20 trabalhos espalhados pelo mundo. Pietrolina é o primeiro deles instalado em um túnel na América Latina.
Para a artista, essas intervenções também funcionam como espaço de experimentação fora da pintura tradicional. Escultura, serigrafia, colagem e cenografia estão entre as linguagens que influenciam sua produção e aparecem nesse diálogo entre superfície, arquitetura e movimento.
Pietrolina pode ser vista desde 11 de setembro e passa a integrar permanentemente a experiência de visita ao MASP. O museu oferece gratuidade às terças-feiras e às sextas-feiras após as 18h, segundo a Forbes.


