Eles chamam atenção para a “cegueira estratégica”, momento em que a euforia da parceria prejudica a clareza dos objetivos

De um lado o desenvolvedor, um pesquisador normalmente apaixonado pelo que faz, que chega em um ponto em que precisa de altos investimentos para viabilizar a execução e implantação de projetos incríveis. De outro, um investidor, muitas vezes alheio à pesquisa, apenas alguém com liquidez procurando investimentos melhores do que os ofertados pelas instituições financeiras. Um contribui com o outro, mas essa relação pode acabar desgastada por interesses divergentes, inviabilizando uma parceria que tinha tudo para ser sucesso.

O Consultor e Conselheiro de Investidores e Mentor e Advisor de Startups, Sérgio Kimio Enokihara, sempre focado em garantir um “casamento” duradouro, saudável e rentável aos empreendedores e investidores e a coach da Effecta Coaching, Janaina Manfredini, sempre na buscapara fazer paralelos entre os cases em que atua na alavancagem de negócios já mais maduros, conversaram e tiveram  insights sobre o assunto. Acabaram criando juntos uma lista de cuidados relacionada a captação de recursos já que, em algumas oportunidades, a euforia pode causar uma cegueira estratégica.

  1. Alinhar Propósito: quando o investidor se alinha ao propósito do desenvolvedor, então criam uma sinergia. Acreditam que o projeto tem algo maior e além dos dividendos. Obviamente, não se trata de esquecer o retorno financeiro, mas as chances da parceria dar certo é maior e, neste caso, também atingir um bom retorno do investimento. Afinal, se o desenvolvedor tem o sonho da vida, mas o investidor pensa em vender o negócio em 5 anos, por exemplo, é grande a probabilidade de haver conflitos à frente, prejudicando o andamento, a velocidade e o sucesso do projeto sob ambos os pontos de vista.
  2. Cuidado com o Acordo de Acionistas: é importante que isso seja debatido e acordado no início da parceria. Deixar para fazer isso depois pode dar margem para conflitos e discussões que venham arranhar a relação posteriormente. Essas definições devem ser feitas logo no início e antes de um eventual conflito, justamente para evitar o mesmo.
  3. Definir Milestones: dividir o projeto em etapas, elaborar um  cronograma, descrever como e quando cada fase é completada, criando mensuráveis de sucesso para cada fase do projeto. Isso gera conforto e confiança para investidor, serve de guia para o desenvolvedor, contribui com a autogestão e ajuda a entender cada vez melhor as fases de captação, facilitando quando houver necessidades de ajustes.
  4. Parceria: é importante entender que é uma parceria. Ou seja, tem que ser bom para ambos os lados, por isso a importância do alinhamento inicial. Requer ajustes finos constantes para minimizar possibilidades de conflitos.
  5. Modelo de Gestão: definir um Modelo De Gestão e Governança facilita na transparência, no acompanhamento do desenvolvedor e do investidor. Importante que ambos participem, dizendo o que entendem ser relevante estar acompanhado. Isso faz com que a gestão ganhe transparência, o que é fundamental para que o investidor esteja confortável com a gestão de seus recursos e, mais uma vez, faz com que o desenvolvedor crie processos consistentes de decisão e mensure o desenvolvimento do seu trabalho. Afinal, o que é medido pode ser melhorado, já nos disse Peter Drucker.
  6. KPIs (Key Perfomance Indicator): definir quais indicadores os  investidores vão ter no Dashboard para acompanhar os Milestones. KPIs de gestão e de performance do produto/pesquisa em desenvolvimento.
  7. Limites de Poderes: devem ser definidos para executivos e investidores, fazendo parte das Governança da empresa.
  8. Cuidar das Pessoas: cuidar do maior ativo da empresa que são as pessoas, da Motivação e do Engajamento das Pessoas. Do fundador, investidor ao mais novo membro desse time,  independentemente do nível de responsabilidade. Todos precisam estar engajados. Assim o projeto ganha vida, sentido, velocidade e excelência.  Importante entendermos que isso não é uma tarefa do RH (até mesmo porque as startups no início não se podem dar ao luxo de criar uma área de RH), e sim de todos!  Iniciando do topo da pirâmide hierárquica (quando existe uma), sendo cascateada para todos na organização. Propósito e Engajamento é algo que deve estar na veia de cada um dos times e é sim responsabilidades das lideranças disseminar para que todos estejam com este mindset. As pessoas precisam estar totalmente alinhadas com o propósito, com a missão do projeto. Sentirem-se realmente protagonistas e inspiradas pelo propósito e a inspiração certamente trará a transpiração (hard work).

 

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